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ESTUDO BÍBLICO  
 

2. DE JESUS AO TEXTO DOS EVANGELHOS

Sabemos que Jesus pregou entre os anos 27 a 30 sem nada deixar por escrito. Também não mandou os Apóstolos escreverem; conseqüentemente, o e=Evangelho foi primeiramente anunciado de viva voz, e só aos poucos consignado por escrito. Há, pois, um intervalo de 20 a 30 ou mais anos entre Jesus e o texto definitivo dos Evangelhos. Depois de muito  estudar o texto sagrado e a história da Igreja nascente, os bons autores admitem três etapas nesse período:

Primeiro Período
De Jesus aos Apóstolos

Jesus pregava a Boa-Nova utilizando recursos de linguagem dos rabinos, como são as parábolas. Antes de Páscoa, a compreensão dos ouvintes era lenta; mas depois de Páscoa-Pentecostes, os Apóstolos, guiados pelo Espírito Santo, penetraram profundamente na mensagem do Senhor.

Segundo Período
Dos Apóstolos às comunidades cristãs antigas

A mensagem de Jesus foi levada de Jerusalém (após Pentecostes) para a Samaria, a Galiléia, a síria, a Ásia Menor, a Grécia, Roma... O núcleo da pregação era sempre a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte obtida na Páscoa: a este núcleo se acrescentavam as narrações de milagres (para comprovar o poder de Jesus). De parábolas (para manifestar a doutrina de Jesus sob forma de catequese), de disputas com os fariseus, de profecias, etc. A pregação devia adaptar-se aos diversos ambientes nos quais ela se realizava, a fim de tornar-se viva e significativa ou ter seu lugar na vida dos ouvintes. Isto não quer dizer que a doutrina ia sendo deturpada. Não; os Apóstolos eram muito ciosos da fidelidade a Jesus e ao passado; não queriam ser senão testemunhas (At 1,8; 2,32; 3,15; 5,32) sempre que alguma inovação estranha se quisesse introduzir na mensagem, condenavam-na (cf.: Gl 1,8; 2Ts 2,1; 1Tm 4,1-3; Tt 2,1.8). Ademais sabemos que o senhor não abandonou sua mensagem ao bel-prazer dos homens, mas acompanhou-a enviando o espírito santo à Igreja para que orientasse os Apóstolos na fiel pregação do evangelho. Este se foi desabrochando homogeneamente, mostrando suas conseqüências na vida dos fiéis, como a semente se abre homogeneamente, passando a ser grande árvore, cujas virtualidades são as da própria semente.

Por menor que seja a semente maior a árvore. Quanto mais simples pregamos, maior a grandeza do Evangelho.


Ao propagar-se, a mensagem foi tomando formas literárias diversas, como a da catequese sistemática, a da oração litúrgica, a da apologética (destinada a provar a Divindade e a Messianidade de Jesus), a da controvérsia (destinada a desfazer dúvidas dos ouvintes).
A medida que iam pregando o Evangelho, os apóstolos experimentaram a necessidade de consignar por escrito ao menos algumas partes do mesmo, a fim de facilitar a aprendizagem dos discípulos. Como a arte de escrever fosse rara e difícil na antiguidade, a escrita era esporádica: escreviam-se séries de parábolas, de milagres, de profecias, de ensinamentos, as narrativas da Paixão e Ressurreição; com fins estritamente didáticos, ou seja, para promover a transmissão das verdades da fé.

Terceiro Período
Das comunidades cristãs aos Evangelistas

Aos poucos, os cristãos perceberam a vantagem de compilar  num só todo sistemático esses fragmentos da pregação evangélica. Esta tarefa foi empreendida por diversos discípulos, como atestava S. Lucas entre 70 e 80: “Muitos se propuseram escrever uma narração dos fatos que ocorreram entre nós como no-los transmitiram os que deles foram testemunhas oculares desde o começo e, depois, se tornaram ministros da Palavra”.

            Das diversas compilações assim feitas, quatro foram reconhecidas pela Igreja como canônicas, ou seja, como autêntica Palavra de Deus: as de Mateus., Marcos, Lucas e João. Os três primeiros estão em dependência entre si, de acordo com o seguinte esquema:
           


           

Notemos: as datas acima são aproximadas, mas muito prováveis. A primeira redação do evangelho deu-se por obra de Mateus na terra de Israel e, por isto, em aramaico. Esta redação serviu de modelo para Marcos e Lucas, que utilizaram o esquema mateano, acrescentando-lhe características pessoais. O texto de Mateus foi traduzido para o grego, visto que o aramaico entrou em desuso quando Jerusalém caiu em 70; o tradutor, desconhecido a nós, retocou e ampliou o texto aramaico servindo-se de Marcos. Isto quer dizer que o texto grego de Mateus (único existente, porque o aramaico se perdeu) é, segundo alguns aspectos, o mais arcaico, e, segundo outros aspectos , o mais recente dentre os sinóticos.

 

      
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