Você Precisa do Flash Player

 



 
 

 

 

ESTUDO BÍBLICO  
 

3. A Fidelidade Histórica dos Evangelho

Muito se tem perguntado se os Evangelhos, resultantes de tal processo, são o eco fiel da verdade histórica. Há quem diga que, ao passar do instância a instância  antes de ser redigida de modo definitivo, a mensagem foi deturpada.

- Em resposta, ponderemos:

1) A mensagem de Jesus Cristo não se propagou a esmo, ou sem o acompanhamento dos Apóstolos. Lembremo-nos, por exemplo, de que, “quando os apóstolos souberam em Jerusalém que a Samaria tinha recebido a palavra de Deus, enviaram Pedro e João para lá” ( At 8,14), a fim de formar a  comunidade respectiva. “Pedro viajava por toda a parte” na terra de Israel, a fim de atender às necessidades dos cristãos (cf. At 9,32). São Paulo mantinha intercâmbio com as comunidades da Ásia Menor, da Grécia e de Roma, recebendo mensageiros e enviando cartas às mesmas, como se depreende do seu epistolário. O mesmo se diga a respeito de outros apóstolos cujos escritos atestam o zelo pela conve3rsação integra da doutrina de Jesus Cristo: S. Mateus, S. João, S. Judas, S. Tiago... Vejam-se também At 11,27-29; 15,2; 18,22; 1Cor 8,14, textos que mostram o contato constante das novas comunidades com a Igreja-Mãe de Jerusalém.

2. Os Apóstolos tinham consciência de lidar com uma tradição (parádosis) santa e intocável. Por isto, dizia S. Paulo aos Coríntios a propósito da ressurreição e da Eucaristia: “Eu vos transmiti aquilo que eu mesmo recebi” (1Cor 15,3; 11,23). O Evangelho que ele pregava aos gentis, fora autenticado pelos grandes Apóstolos  de Jerusalém (cf, Gl 2,7-9). Em conseqüência, os tessalonicenses eram exortados a manter a tradição recebida e a afastar-se de quem não seguisse (cf . 2Ts 2,15; 3,6). Insiste São Paulo:  1Ts 2,13;   Gl 1,11s;    Cl 2,6-8.   Antes  de   morrer,  o   Apóstolo
recomenda a Timóteo  transmita o depósito santo a homens de confiança que sejam capazes de o passar a outros: 2Tm 2,2. É dever fundamental dos ministros de Cristo que sejam fiéis: cf. 1Cor 4,1s; 7,25; 1Ts 2,4.

3. Não há dúvida, na igreja nascente houve tentativas de deteriorar a mensagem evangélica. São Paulo se refere a fábulas erros gnósticos (são aqueles que apregoam um conhecimento superior, reservada a homens espirituais, cuja salvação estaria garantida), dualistas (são aqueles que admitem antagonismo entre matéria e espírito), docetistas (são aqueles que negam tenha Jesus assumido realmente a natureza humana)..., que ele compreendia sob a palavra grega mythoi = mitos; e cuidou fortemente de que tais mitos não se mesclassem com a autêntica doutrina de Cristo chamada lógos, Rm 10,8; Tg 2,13; 2Tm 2,9; Tt 2,5... da vida, 1Jo1,1
Observemos  como São Paulo tem consciência de que mitos não fazem parte da mensagem evangélica e, por isto, devem ser banidos da pregação: 1Tm 1,4; 4,7; 2Tm 4,4; Tt 1,14; 1Pd 1,16
Donde se vê que não se deve admitir que tenha sido a mensagem cristã penetrada por mitos e confundida com eles.

4.  Os mitos são erros e desvios ocorridos na pregação da mensagem cristã dos primeiros séculos foram recolhidos na chamada “literatura apócrifa” cujo estilo é evidentemente imaginoso e fictício. A Igreja teve a assistência do Espírito Santo para discernir claramente o autêntico e o não autêntico na caudal de doutrinas propostas aos cristãos dos primeiros decênios.

5. Os mitos todos têm estilo vago, do ponto de vista da cronologia e da topografia; não podem propor quadro geográfico é histórico preciso; é o que os isenta de controle. Ora, dá-se o contrário nos Evangelhos: como se verá, a topografia da Palestina é por estes minuciosamente mencionadas; também a cronologia é assaz exata, como se depreende das menções de César Augusto  (Lc 2,1),   Tibério César,   Pôncio Pilatos,   Herodes,   Felipe, Lisânias... (Lc 3,1s).

6.  Nenhum criador de mitos teria “inventado” o mito do Evangelho, cujos traços são  desafiadores e exigentes para a mente humana; a mensagem de Deus feito homem e, mais,...crucificado pêra escândalo para os judeus e loucura para os gregos (1Cor 1,23); a promessa de ressurreição ou de re-união da alma com o corpo era contrária ao pensamento grego; a moral cristã, que valorizava a mulher, a criança mesmo indesejada, a família, o trabalho manual, o escravo, a estrita monogamia... só podia encontrar oposição da parte da filosofia greco-romana.
Donde se vê que a mensagem do Evangelho é de origem divina e não pode ter sido produto do ficcionismo de judeus ou de pagãos da antiguidade.

Estes dados sumários nos preparam para entrar no estudo de cada Evangelho em particular.

 

 

      
Páginas: 1 2 3