A Igreja e os Jovens Revolucionários

A Família segundo o Coração de Jesus
20 de novembro de 2015

A Igreja e os Jovens Revolucionários

     Inicio este artigo relembrando um trecho de um dos discursos do Papa Francisco destinado aos Jovens na Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro:

“Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é ‘curtir’ o momento, que não vale a pena se comprometer por toda a vida, fazer escolhas definitivas ‘para sempre’, uma vez que não se sabe o que nos reserva o amanhã. Nisso peço que se rebelem: que se rebelem contra a cultura do provisório, a qual, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de ‘ir contra a corrente’. E também tenham a coragem de ser felizes!”

     A Igreja pede, através do Papa Francisco, uma consciência por parte dos Jovens para deixarem a cultura do provisório e assumirem uma realidade com Cristo. Essa cultura do provisório é como se fosse uma casca, que encobre tudo o que é real e faz com que os Jovens acreditem que o fato de “curtir” a vida sem qualquer compromisso pode levá-los a plena realização pessoal. Muito ao contrário, ela está deformando não só a história da juventude, mas também o seu futuro promissor, principalmente em relação à Família, pois uma parcela grande de Jovens perdeu a noção da importância dos valores que receberam de seus pais. Tudo isso é fruto de uma cultura de morte e opressão; uma cultura enganadora e perversa que tem como objetivo distanciar todos os Jovens da Verdade, isto é, de um verdadeiro compromisso com o Cristo.

     Da cultura do provisório, a tecnologia pode até parecer interessante, pois ela ajuda e pode ser usada para aprimorar o intelecto e o futuro da juventude. No entanto, não é isso o que está acontecendo, pois muitos Jovens estão sendo consumidos por tudo aquilo que parece novidade e estão esquecendo-se das pessoas a sua volta e afastando-se do convívio da Família, tendo em vista que os excessos praticados no uso da tecnologia roubam a preciosidade do tempo familiar distanciando esses mesmos Jovens da Igreja e de Deus. O Papa Francisco, e aqueles que como eu amam a juventude, não são contra esses novos meios de se comunicar ou interagir, mas é preciso o equilíbrio a fim de que as pessoas não se distanciem, pois elas são mais importantes do que quaisquer tecnologias.

     A Igreja tem observado as muitas manipulações que possuem o objetivo de fazer com que os Jovens pensem ao contrário dos valores morais, induzindo-os a acreditarem que esses novos modelos de instituições são necessários para uma sociedade moderna. Além disso, existe toda uma “roupagem política” que induz os Jovens a acreditarem numa política que, apesar de parecer correta, está enraizada de corrupções e mentiras, através de falsas promessas. É bom lembrar que os sonhos de uma sociedade equilibrada e pautada na justiça depende muito do presente e de como os Jovens estão construindo o seu futuro a partir de uma realidade que os leva a se rebelar contra as corrupções e uma política de morte para que o sonho não seja um sinônimo de frustração.

     Ser um Jovem Revolucionário não significa assumir a violência e as armas como fazem alguns jovens quando participam de manifestações, mas usar da inteligência do Amor, a partir de uma experiência de Jesus, e sair lutando para que a igualdade seja para todos, pois a vida do ser humano não está diretamente pautada no dinheiro, mas no respeito ao outro, pois sabemos que a solidariedade nos leva à partilha e as pessoas só serão justas na medida em que a necessidade de acumular seja dizimada. Desta forma, todos passarão a usufruir do que se dispõe de acordo com suas necessidades.

     Destacando o que nos diz o Papa Francisco, ainda relativo à cultura do provisório que acredita que os Jovens não são capazes de assumir responsabilidades, somente quem assume responsabilidades está assumindo a VERDADE como pressuposto para a cultura do Amor, da solidariedade e da partilha, mas enquanto existirem Jovens e Famílias padecendo por causa das injustiças, você Jovem não poderá testemunhar o Amor e a Justiça. Portanto, rebelar-se significa ter a coragem de agir sem medo diante de serpentes e víboras sem nunca perder a confiança na Verdade e naquele que acredita na Juventude e que convocou todos os Jovens para servirem sem medo: “Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da Sua misericórdia e do Seu amor”.

     A Igreja acolhe os Jovens Revolucionários e procura aqueles que estejam dispostos a dar o seu SIM a Cristo para se tornarem profetas, seja como Sacerdote ou como pais de Família, mas que tenham o perfil de levar adiante a missão do Evangelho à todas as criaturas (Mc 16, 15ss), a fim de que todos possam construir uma verdadeira CIVILIZAÇÃO DO AMOR, e nesta civilização, Famílias Restauradas para uma Nova Geração.

Pe. Fernando Gonçalves

Fundador